TENNISPRESS EXCLUSIVO – Paula Gonçalves: “Todas as pessoas ao meu redor sempre acreditaram em mim”

(Roberto Castro / ME)

Da sinergia entre o nosso diretor Alessandro Re e o correspondente do Rio de Janeiro Helder Novaes, vem esta bela entrevista com a campineira Paula Gonçalves, atual número um do Brasil

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Atualmente nº 180 do mundo, Paula Gonçalves tem 26 anos e em 2016 viveu sua melhor temporada até agora, obtendo sua melhor classificação (163) e terminando o ano como a melhor brasileira no ranking da WTA.
Na carreira, possui 4 títulos de simples e 17 de duplas em torneios ITF, além de ter sido campeã de duplas no WTA de Bogotá em 2015, ao lado da também brasileira Bia Haddad Maia. Neste ano, chegou às quartas de final do Rio Open e fez semifinal em Bogotá. É treinada pelo ex-tenista brasileiro Carlos Kirmayr, que já foi técnico de jogadoras como Gabriela Sabatini, Arantxa Sanchez e Conchita Martínez. Nesta entrevista, Paula fala sobre seu excelente ano, a importância do aspecto mental o trabalho físico que vem desenvolvendo.

Gostaria de começar fazendo um balanço da temporada até aqui. Este ano você teve uma grande evolução não apenas no ranking mas principalmente em desempenho, conquistando bons resultados. O que você mudou no seu jogo em relação aos últimos anos?
Está sendo o melhor ano da minha carreira, tive um primeiro semestre espetacular, onde eu passei as primeiras rodadas na chave principal de torneios WTA, e aí acho que eu tive um clique. A grande mudança foi na parte mental, entrei bem relaxada e focada no que eu tinha que fazer e não me preocupando com as coisas externas que poderiam vir a atrapalhar, enfim, entrei bem tranquila. No começo do ano eu estava com foco maior nas duplas, porque ano passado eu fiz um segundo semestre muito bom e consegui entrar no top 100 de duplas, mas acabei engrenando nas simples e isso fez a minha confiança subir muito, me motivou muito mais. Então a diferença neste ano foi a parte mental e a parte física. Desde fevereiro eu estou com um preparador físico novo (Marcelo Prata), o que vem fazendo uma grande diferença.

Sobre essa mudança no lado mental, era algo que já havia identificado que precisava melhorar?São vários pontos na verdade, chega um nível que pequenos detalhes acabam fazendo a toda a diferença, então esses detalhes eu comecei a identificar, ver mais claramente o que eu precisava melhorar – e preciso ainda, tem pontos a serem trabalhados. O trabalho é diário mas o principal foi que comecei a acreditar em mim mesma. Todo mundo sempre acreditou em mim e sempre senti que faltava eu acreditar mais também, e hoje eu me vejo em outro patamar.

E o trabalho com o preparador físico, ajudou a dar também mais confiança e conquistar melhores resultados?
Com certeza, me deu mais confiança na parte física e também na parte mental, porque se você sabe que está bem preparado, que se precisar entrar na quadra para ficar três horas você aguenta, isso também dá uma confiança muito grande. Nós somos grandes amigos, já nos conhecíamos há muito tempo, foi muito bom esse reencontro e o trabalho com ele está sendo excelente.

Até ano passado seus melhores resultados haviam sido nas duplas, o que te levou inclusive ao top 100 no final de 2015. Este ano passou a priorizar mais em simples, como foi esse processo?
Não sei dizer se eu priorizei mas eu sempre gostei de jogar duplas e foi algo natural, comecei a ter resultados, a ver que dava para entrar no top 100, jogar torneios maiores. Ganhei um WTA ano passado com a Bia [em Bogotá] mas onde eu deslanchei mesmo foi na gira que eu fiz na Europa ano passado, encontrei uma parceira muito boa, uma americana [Sanaz Marand], a gente deslanchou teve excelentes resultados e isso me colocou no top 100. Até o começo do ano eu estava muito focada nas duplas, mas aí comecei a ter bons resultados em simples e a prioridade voltou para simples, que no fundo sempre foi a prioridade. Perdi bastante meu ranking de duplas mas pretendo retomar o mais rápido possível.

13 de Julho de 2015 - PAN 2015 - Tenista Brasileira Paula Gonçalves. Foto: Roberto Castro / ME
13 de Julho de 2015 – PAN 2015 – Tenista Brasileira Paula Gonçalves. Foto: Roberto Castro / ME

Este ano você disputou mais torneios WTA. Na sua visão existe uma diferença grande de nível entre os torneios ITF e WTA, como está sendo essa transição?
Não vejo uma diferença muito grande de nível. É muito louco porque o primeiro Grand Slam que joguei na vida foi esse ano, Roland Garros. Na semana anterior joguei um ITF 50+H na França, fiz semifinal e já estava naquela ansiedade de ir para Roland Garros. No meu primeiro jogo fiquei muito nervosa, mas depois que passou parei para pensar. É um Grand Slam, um lugar legal, todo mundo quer assistir, estar lá, jogar, mas as jogadoras que disputam o quali são exatamente as mesmas que enfrento nos torneios de 50, 100, então vai de como cada uma lida com a situação. Foi bem legal ter jogado porque pude ver e treinar com algumas jogadoras top, estar mais envolvida e ver que realmente é atingível.

Você esteve em Roland Garros, Wimbledon e o US Open, que lições tirou dessas experiências?
É seguir firme, trabalhando. É possível chegar lá, vi várias jogadoras da chave principal treinando e jogando, e não é nenhum bicho de sete cabeças. O tênis é muito mental e físico, e como eu falei, são os pequenos detalhes que fazem toda a diferença nesse nível. Por isso é seguir trabalhando, acreditando, com confiança e ano que vem quero jogar a chave dos Grand Slams!

Nesse processo de transição, o quão importante é poder jogar torneios WTA no Brasil, na América do Sul? A proximidade ajuda?
Para nós brasileiras, sul-americanas, é muito bom ter torneios aqui porque é complicado, a gente fica o ano inteiro fora, tem que ir aos Estados Unidos, Europa, Ásia, enfim, e quando tem torneio perto algumas tops vem e é bom ter esse contato, faz diferença e hoje em dia eu me sinto muito mais à vontade jogando esses torneios.

Seus resultados mais significativos sempre vieram do saibro, mas seu estilo de jogo se adapta bem à quadra rápida. Como você vê isso? Se sente mais confiante no saibro, pretende investir mais no piso duro?
Durante uma época eu dizia que meu piso favorito era a quadra rápida e depois eu mudei para o saibro (risos). Continuo achando o saibro meu piso favorito, não sei se porque é da cultura sul-americana, a gente nasceu no saibro. Acho que meu jogo encaixa muito bem na quadra rápida porque eu tenho um bom saque, uma boa direita, mas no saibro eu consigo ganhar um pouco mais de espaço, jogar um pouco mais atrás, dar mais topspin, colocar mais efeito, usar variação, me sinto mais confiante e familiarizada.

Para finalizar, quais são planos para a próxima temporada?
A ideia é começar na Austrália, final de dezembro já embarcar para lá, fazer a pré-temporada em novembro. Como faz tempo que não me reúno com o Kirmayr e toda a equipe, chegando em Serra Negra vamos montar o planejamento do ano que vem.

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