Guilherme Clezar: “Confio muito no meu jogo, sei que eu posso ir mais longe do que já cheguei”

Guilherme Clezar
Foto: Marcello Zambrana/DGW Comunicação

Entrevista com Guilherme Clezar, atualmente 220 do ranking ATP

O brasileiro Guilherme Clezar, atualmente 220 do ranking ATP, conversou com exclusividade ao Tennispress sobre a sua temporada de 2016. Campeão do Challenger de Campinas em 2013 e vice do Challenger Finals em 2014, Clezar alcançou este ano no US Open sua primeira chave principal de Grand Slam. Confira abaixo a entrevista.

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Esse ano você encerrou a temporada fora do top 200, imagino que a expectativa era terminar numa posição melhor. Como você analisa sua temporada 2016?
Não foi a melhor temporada que eu poderia ter tido, esperava resultados um pouco mais expressivos da minha parte, mas acho que serviu para melhorar meu jogo em alguns sentidos. Também procurei jogar mais nas quadras duras esse ano, apesar de não ter ganhado muitos jogos eu consegui evoluir em certos aspectos.

Você sentiu necessidade de jogar mais na quadra dura em busca de uma evolução?
Na verdade foi mais pelo resultado que eu obtive no US Open, acabei passando o quali e isso me deixou motivado a seguir jogando um pouco mais na quadra dura. Como fui formado no saibro, ao jogar na quadra dura logicamente a gente cosegue alguma evolução em subidas na rede, devolução, essas coisas.

No final da temporada vieram algumas vitórias interessantes sobre tenistas do top 100, nos torneios de Lima (d. Renzo Olivo, #86, e Facundo Bagnis, #67) e Guyaquil (d. Gastão Elias, #66). A partir disso qual foi a percepção que você teve do seu nível comparado a esses tenistas? isso te deu mais confiança?
Sim, foram vitórias importantes para mim. Eu vinha de uma série complicada de derrotas, mas independentemente disso eu não deixei de confiar no meu jogo, eu sabia que eu estava jogando bem, que tinha perdido partidas  por detalhes, e isso ficou provado nas duas últimas duas semanas do ano, em que eu ganhei de três tenistas bem ranqueados. Isso me motiva a seguir para o próximo ano com toda força.

unnamed-1Se você fosse escolher seu melhor jogo no ano qual seria?
Eu fiz alguns bons jogos no ano. Tive três semanas em que eu joguei muito bem, a semana do US Open, a de Sarasota e a de Lima. Eu destacaria que nessas três semanas eu mantive um padrão muito bom, não ressaltaria nenhum específico, mas sim essas três semanas.

Nos últimos três anos você participou do Challenger Finals, em São Paulo, e esse ano o torneio foi extinto. Na sua visão o que faltou para ele se firmar no calendário?
Era um torneio que, apesar de ser de um nível difícil, era pouco atrativo para o público, porque mesmo tendo bons tenistas não tinha nenhum nome de expressão, então acho que essa era a principal diferença para um torneio ATP, por exemplo.

Você está bem estabilizado no circuito Challenger, e nos últimos anos o número de torneios dessa categoria no Brasil vem diminuindo. Como você vê essa questão e o quanto isso prejudica em termos de custos na temporada e pontos no ranking?
Para nós brasileiros ter torneios aqui no Brasil ajuda bastante na questão financeira e também na questão das viagens, viajamos muito mais que um tenista europeu, por exemplo. Mas sempre foi assim para o pessoal da América do sul, é luta o tempo inteiro, é algo que estamos bem acostumados. Fazer giras longas, ficar longe da família e dos amigos, cada vez que a gente sai para uma gira tem que estar bem preparado, tanto mentalmente como tecnicamente, para poder aguentar bastante.

Por outro lado, Europa e Estados Unidos são o caminho para uma evolução maior?
É onde estão os grandes torneios, qualquer tenista que queira se firmar num patamar melhor tem que jogar lá, não tem muito para onde fugir.

Sobre o US Open, primeira vez na chave principal de um Grand Slam depois de batalhar por isso há algum tempo. Como foi essa conquista e a experiência de jogar a chave principal?
Foi uma semana incrível. Eu já tinha jogado vários qualis, com derrotas em última rodada em Roland Garros e nunnamedo próprio US Open. Sem dúvida esse foi o ápice da minha temporada, talvez da minha carreira.
Ter vivenciado aquela emoção foi uma coisa ímpar para mim e espero poder revivê-la de novo.


A derrota para o Marco Chiudinelli (6/2 6/7 2/6 4/6) foi dura, não? Depois de vencer o primeiro set, aquele tiebreak do segundo…
Acho q eu faltou um pouco de experiência em jogos de cinco sets. Joguei um primeiro set bem firme, o segundo set estava muito perto de ganhar, acabei perdendo e no terceiro eu fiquei… “olha, tem que jogar mais três sets… estou um pouco cansado, tenho físico ou não tenho?” Faltou um pouco de experiência, sabe? Acho que se eu tivesse jogado mais vezes melhor de cinco sets poderia ter me saído melhor, até ganhado o jogo.

Como está a pré-temporada? Como tem sido a preparação, com quem você vem treinado.
Eu estou na minha terceira semana de pré-temporada, comecei fazendo duas semanas de físico e agora eu, meu treinador e meu preparador físico viemos para a Tennis Route e estamos treinando com o Monteiro, Bellucci, Fabiano, Demoliner. Vamos aqui até 23 de dezembro e depois sigo para a Austrália.

E como é o convívio com os outros tenistas brasileiros?
Me dou super bem com todos, tenho uma ótima relação com o Thomaz, mais ainda com o Thiago, jogamos juntos há muito tempo, treinamos bastante tempo juntos também. Meu dou muito bem também como o Feijão, Rogerinho, Ghem, somos todos muito amigos, me sinto bem com eles e ter essa convivência ajuda.

Sobre as viagens e estar longe de casa, o quanto ajuda vocês estarem juntos?
Quando viajamos sempre procuramos um amigo para fazer companhia, quando jogamos os mesmos torneios procuramos treinar, jantar juntos, para nos sentir mais em casa, isso te dá mais conforto, o que é natural para todo mundo.

Para finalizar, quais são os seus objetivos para 2017?
Recuperar um pouco meu ranking, ainda tenho um longo caminho para percorrer mas acho que estou conseguindo melhorar certas coisas, fixar certos padrões no meu jogo que eu vinha patinando um pouco. Confio muito no meu jogo, sei que eu posso ir mais longe do que já cheguei e agora é começar 2017 com o pé direito, com tudo que eu posso, mais um ano de batalha, de luta, tomara que dê tudo certo.

Helder Novaes

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